Inquietação toma conta da Argentina após ataque a Cristina Kirchner

Agressor apontou arma para a vice-presidente, mas ela não disparou

Porto Velho, RO
- Um clima de inquietação tomou conta da Argentina nesta sexta-feira (2), quando cidadãos acordaram abalados após o atentado contra sua vice-presidente, Cristina Kirchner, que saiu ilesa devido a um defeito mecânico na arma usada.

O agressor apontou a arma - que as autoridades disseram estar carregada - para Cristina, do lado de fora da casa dela no centro de Buenos Aires, à queima-roupa, mas a arma não disparou.

Políticos de todos os segmentos da Argentina condenaram o ataque, que ocorreu em meio a tensões políticas agudas e a uma crise econômica impulsionada por dívidas e inflação descontroladas.

Horacio Rodríguez Larreta, prefeito de oposição da cidade de Buenos Aires, chamou o ataque de "ponto de virada na história democrática do país", fazendo comentários semelhantes aos do presidente Alberto Fernández, e exigindo justiça rápida.

O papa Francisco falou por telefone com a vice-presidente, para expressar sua solidariedade, informou Cristina em comunicado. Líderes da região também criticaram o ataque.

"Foi deplorável, repreensível, mas ao mesmo tempo, eu diria, milagroso, porque ela está bem", disse o presidente mexicano de esquerda, Andrés Manuel López Obrador.

Cristina Kirchner enfrenta acusações de corrupção ligadas a suposto esquema de desvio de recursos públicos enquanto foi presidente, de 2007 a 2015. Um promotor pediu sentença de 12 anos de prisão contra ela.

A vice-presidente nega irregularidades. Seus apoiadores foram às ruas e se reúnem diariamente do lado de fora de sua residência.

O gabinete do presidente Fernández pediu o fim de uma "retórica de ódio", enquanto Rodríguez Larreta acrescentou: "Hoje, mais do que nunca, todos os argentinos precisam trabalhar juntos pela paz".

O ataque foi transmitido em todo o país, com imagens ao vivo que mostraram a arma sendo apontada para o rosto de Cristina, antes de ela se abaixar e cobrir o rosto com as mãos.

Oscar Parrilli, senador da coalizão governista próximo à vice-presidente, disse à rádio local que ela estava em choque, mas que, "por sorte, tem seu espírito, seu temperamento intacto".

A polícia prendeu um suspeito identificado como Fernando Andrés Sabag Montiel, um brasileiro de 35 anos.

"Felizmente, a bala não saiu, as consequências poderiam ter sido muito piores", disse Florencia Suera, uma trabalhadora de 22 anos, de Buenos Aires.

Oscar Delupi, 64 anos, funcionário ferroviário da capital, culpou as divisões políticas pelo desencadeamento da violência.

"A sociedade já perdeu um pouco a calma, a mensagem de ódio que a oposição emite está se tornando cada vez mais feroz", afirmou.


Fonte: Agência Brasil
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