Dia Mundial do Câncer: crianças da região norte têm 15% menos chances de cura

No Brasil, o câncer é a doença que mais mata crianças e adolescentes

Porto Velho, RO - Rondônia vive um cenário infeliz quando o assunto é câncer. De acordo com dados da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), entre 2019, 2020 e o início de 2021, mais de 3 mil pessoas morreram devido a complicações causadas pela doença.

Segundo a entidade, de uma maneira geral, os tipos de câncer mais frequentes entre os rondonienses são o de pulmão, traqueia, cólon e reto e pele. Se divididos entre gênero, entre as mulheres, o tipo mais encontrado é o de mama; entre os homens o mais comum é o de próstata.

Entretanto, e assustadoramente, o número de crianças que sofre de câncer tem gerado um alerta mundial sobre a doença. No Brasil, o câncer infantil e juvenil é a enfermidade que mais mata na faixa etária de 1 a 19 anos, segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca).

Porém, o mais alarmante é como a desigualdade se faz gritante até mesmo em situações como esta. As chances de cura de uma criança com câncer que viva na região sul do país são 15% maiores do aquela que vive na região norte.

De acordo com o levantamento do instituto, enquanto as chances médias de sobrevivência nas regiões sul do Brasil são de 75% e na região sudeste são de 70%, nas regiões centro-oeste, nordeste e norte são de 65%, 60% e 50%, respectivamente. Portanto, para compreender e reconhecer as desigualdades no tratamento do câncer em todo o mundo, o Dia Mundial de Combate ao Câncer, em 4 de fevereiro, traz o tema “Lacuna no tratamento do câncer”.

A data tem o objetivo de aumentar a conscientização sobre a doença, reforçando o poder do conhecimento na criação de um mundo livre de câncer. Isto porque, atualmente, apesar de ser uma época de avanços inspiradores na prevenção, diagnóstico e tratamento da doença, infelizmente ainda há um cenário de desigualdade nas chances de cura.

No Brasil, o tempo entre a percepção de sintomas e a confirmação diagnóstica do câncer infantojuvenil é longo e, por isso, muitos pacientes chegam ao tratamento já na fase avançada da doença. Isto leva à criação de programas como o do Instituto Ronald McDonald. “Investimos no Programa Diagnóstico Precoce. Buscamos aumentar as chances de que mais crianças cheguem ao hospital no estágio inicial da doença, aumentando as chances de cura”, afirma Bianca Provedel, diretora executiva do instituto, que atua na assistência de crianças que sofrem com a doença.

O programa Diagnóstico Precoce capacita profissionais da atenção básica de saúde e outras áreas que lidam diretamente com crianças e adolescentes para identificar os principais sinais e sintomas da doença em estágio inicial. “Cada um de nós tem o poder de fazer a diferença, seja ela grande ou pequena, no mundo em que vivemos. Unidos, podemos fazer um progresso real no cenário do câncer infantojuvenil e salvar vidas”, finaliza Bianca.

Principais sintomas do câncer infantil e juvenil

De acordo com Teresa Fonseca, oncologista pediátrica, a dificuldade de reconhecer os sinais do câncer infantojuvenil se dá porque os sintomas são parecidos com os de outras doenças da infância. “O mais frequente na criança é a leucemia. Em segundo lugar são os de cabeça e do sistema nervoso central. Em terceiro lugar, os linfomas”, lista a oncologista pediátrica.

Conheça os possíveis sinais* da doença:

– Palidez inexplicada;
– Perda de peso;
– Febre prolongada sem causa aparente;
– Hematomas ou sangramento;
– Dores nos ossos e nas juntas, com ou sem inchaços;
– Caroços ou inchaços – especialmente se indolores e sem febre ou outros sinais de infecção
– Vômitos acompanhados da alteração de visão e equilíbrio;
– Tosse persistente ou falta de ar;
– Sudorese noturna;
– Reflexo branco no olho quando incide uma luz;
– Olho aumentado de tamanho com mancha roxa;
– Inchaço abdominal;
– Dores de cabeça incomuns, persistentes ou graves;
– Fadiga, letargia ou mudanças no comportamento, como isolamento.


*Atenção: os sinais descritos não significam que a criança ou o adolescente está com câncer, mas que precisa ser consultado um médico pediatra para análise e monitoramento do sintomas*.

Fonte: Diário da Amaônia
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